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  • Dr. Luiz Fink

Eu - Meu Primeiro Paciente


Há cerca de vinte e cinco anos, tenho dedicado parte considerável do tempo da minha prática médica ao tratamento de lesões relacionadas ao esporte. Por característica própria da Especialidade de Ortopedia e Traumatologia, O trauma esportivo sempre foi uma área de grande interesse para mim. Esse interesse se baseou no fato da prática esportiva ter sido uma constante em minha vida. Desde os 4 anos de idade quando iniciei na escolinha de basquete, pratiquei inclusive de forma competitiva os mais diversos esportes como natação, judô, jiu jitsu, rugbi e handebol.

O interesse e o aprofundamento nos estudos na área do trauma esportivo levou à minha participação no primeiro congresso brasileiro de artroscopia e trauma do esporte em gramado onde apresentei dois trabalhos científicos de minha autoria, além do convite como palestrante no NZOACON em Ludhiana, Índia onde além de duas cirurgias ao vivo, falei sobre o protocolo pós operatório para pacientes com reconstrução do ligamento cruzado anterior.


Com minha mudança para o interior do estado de São Paulo, fui convidado a integrar o departamento médico do CAP - Clube Atlético Penapolense, então recém chegado à primeira divisão do campeonato Paulista de futebol, onde em conjunto com uma formidável equipe técnica, além de resultados expressivos para um time recém ascendido para a primeira divisão do futebol estadual, conseguimos ser a equipe com o menor número de lesões sofridas, graças a um trabalho preventivo e de monitoramento dos atletas. Superando inclusive os times considerados grandes dentro do futebol paulista neste aspecto.



Devido ao vínculo cada vez maior com a área esportiva, além da procura dos pacientes em meu consultório particular por questões médicas relacionadas ao esporte, não apenas ao trauma esportivo, em 2019 resolvi me aprofundar ainda mais me especializando nesta área. Me programei então para iniciar em 2020 uma pós graduação em Medicina Esportiva.


Com isso em mente, uma coisa me incomodava. Anos longe da prática de esportes graças a um estilo de vida sedentário focado na minha atuação médica, fizeram com que eu adquirisse um quadro severo de obesidade chegando a 132kg e um IMC (índice de massa corporal) de 43. Como eu poderia trabalhar com esporte, prescrevendo atividade física para pacientes em busca de qualidade de vida ou desempenho esportivo se eu mesmo não demonstrava isso em meu próprio corpo?



Foi então que decidi me tornar eu mesmo meu cartão de visitas. Pondo em prática muito do que eu já sabia, além das coisas que comecei aprender na pós graduação em medicina esportiva, iniciei um programa de reeducação alimentar associado a um planejamento de atividade física, baseado na minha necessidade calórica diária junto ao meu gasto energético, consegui ao longo de 1 ano e meio a perda de 32 kg.


O mais incrível foi observar que devido a substituição de gordura por massa magra, cheguei à perda total de quase 40 kg de gordura corporal.


E não parei por aqui!


Estou no momento em uma fase de transição. Meu objetivo agora é além de reduzir meu tecido gorduroso, aumentar ainda mais minha massa muscular. Estou iniciando uma fase de treinamento para hipertrofia muscular associado a condicionamento físico.


Neste processo evolutivo, não fiz uso de anorexígenos, nem de outras medicações para perda de peso, muito menos de anabolizantes. O processo foi lento e gradual. Não existe fórmula mágica para perda de peso, Não existe Dieta milagrosa nem programas que te fazem perder 10kg em 15 dias. Toda perda acentuada e acelerada de peso vem acompanhada de um ganho acentuado e acelerado de peso, o famoso efeito sanfona.


A perda real e ideal de peso somente acontece quando baseada na mudança da rotina e em duas palavrinhas: Déficit calórico. A chave para o emagrecimento é a constância na manutenção do déficit calórico.

E o que vem a ser isso? A chave são as calorias. Você tem que gastar mais calorias do que você consome, isso é o déficit calórico. Quando você conseguir de forma constante gastar mais calorias ao longo do dia do que aquilo que você ingere, automaticamente seu peso começará a reduzir.


Um médico do esporte vai lhe auxiliar calculando qual o seu gasto calórico no dia a dia, quais as atividades físicas e mudanças em sua rotina podem aumentar esse gasto calórico, Qual a porcentagem de macronutrientes (proteínas, gorduras e carboidratos) é a mais indicada em cada momento da sua perda de peso. Além disso, o rastreio de alterações hormonais que impedem a eficácia do seu metabolismo pode ser identificada e corrigida.

O médico do esporte não monta dieta nem prescreve exercício, os profissionais mais indicados par isso são os nutricionistas e educadores físicos. Porém ao definir quais as melhores atividades, qual o melhor momento para se exercitar qual a melhor distribuição de macronutrientes, quando se alimentar, tudo personalizado de acordo com sua rotina, isso facilitará, podendo até potencializar o trabalho desses profissionais.


Além disso, o profissional que tem o conhecimento de quais suplementos ergogênicos ou não tem ação cientificamente reconhecida, é o médico do esporte. É ele quem pode lhe dizer o que funciona e o que é apenas desperdício de dinheiro.


Hoje me sinto mais do que preparado para auxiliar meus pacientes que estão na mesma situação em que eu me encontrava há cerca de 1 ano e meio atrás. Neste período eu vivi tanto a dificuldade de perder peso quanto a satisfação de ver a balança recompensando o meu esforço. Toda a dificuldade pela qual passei, as armadilhas no meio do caminho, as dicas e o conhecimento de ter sentido na pele que é possível aliado ao conhecimento técnico que minha formação e a experiência de ter sido meu primeiro paciente me proporcionaram, me permitem tornar mais fácil o caminho de quem quer perder peso definitivamente e com saúde.


Eu sei que é possível, eu mesmo fiz, e se foi possível pra mim, será possível também para você.

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